O que levei de Luang Prabang

 

Foto: Glauber Brasil

Meus primeiros minutos no Laos foram, com certeza, cheios daquela sensação de “o que eu tô fazendo aqui?”. Descemos em um aeroporto pequenino, demorado, com um visto bem carinho, por sinal. Saímos do aeroporto com um sol nada amigável. Pegamos uma van até nosso hotel. O que não levou muito tempo, visto que a cidade é bem pequena. Só pra ter uma ideia, a população é de aproximadamente 22.000 habitantes. No caminho para o hotel, a primeira imagem que me lembro é de uma casa bem simples, mas com um quintal enorme. E nesse quintal, uma criança com…chuto uns 2 anos de idade, e na sua frente um adulto fazendo dancinhas que a faziam rir e dançar junto. Essa cena me fez dar um pequeno sorriso, mas ainda não tinha me convencido, ou mudado meu pensamento, que não estava muito feliz, confesso. O que via, além da criança brincando e dançando, era uma cidade sem muita estrutura, muitos terrenos sem casa, muitas casas com quintais grandes e cheias de plantações. E eu me perguntando o quê de tão incrível tinha nesse lugar para ser tão comentado nos blogs de viagens.

Para contribuir com minha “não-vontade” de ficar ali, o hotel não era nada do que eu gostaria e esperava que fosse. Não queria um quarto grande, uma boa vista, banheira ou serviços de hotel. Mas sou muito chata com limpeza, e esse não era uma das qualidades do lugar. Enfim, demorei algumas horas, ou muitas, pra conseguir engolir o hotel haha.

Saímos para explorar a cidade, conhecer o Night Market (rua maravilhosa cheia de barracas incríveis vendendo roupas, artesanatos, bebidas, comidas, lenços, entre muitas outras coisas), e claro, experimentar a comida Laosiana, já que foi nossa primeira cidade nesse país. Não vou nem entrar em detalhes sobre nosso primeiro jantar, porque, pra ajudar também, não gostei de absolutamente nada do que pedimos. Mas não demorou muito (após o jantar, claro), para sentir algo diferente naquele lugar. O sorriso das pessoas, o acolhimento. Os estabelecimentos fechando por volta das 21h. O bar mais badalado do local, o Utopia (maravilhoso, por sinal), às 23h, acendia suas luzes, e os funcionários, simpáticos (sem ironia), saíam recolhendo os copos, talheres, etc. Para eles, não importa se o bar ainda estava cheio (como estava!). Não importa se a cidade está cheia de turistas. Lembrando que estamos falando do Laos, um dos países mais pobres do mundo. Mas nada disso importa, porque quando chega a hora de fechar, eles fecham mesmo!

O dia seguinte foi totalmente inspirador. Totalmente leve, cheio de momentos tão gostosos que sinto saudade desde quando saí de lá. É difícil explicar, mas a simplicidade do lugar, das pessoas é totalmente encantadora. Em cada estabelecimento, você sempre encontra uma cama, um sofá, ou uma espreguiçadeira à vista. E não é difícil ver o(a) dono(a) dormindo, tranquilamente, no meio do expediente! Por diversas vezes, é difícil identificar uma separação da sala, quarto com a loja em si. Quantos banheiros fomos, com shampoo, condicionador, sabonete, de uso da família do local haha Os tuk-tuks (um táxi coletivo-improvisado-gracinha bem comum em muitos países da Ásia), têm uma rede no local onde ficam os passageiros. Assim, quando estão ali, aguardando os clientes, aquela deitadinha na rede, é sempre bem vinda! Além do cochilinho básico em qualquer momento do dia, é maravilhoso ver como é comum os donos de lojas, bares, restaurantes, barraquinhas, ficarem sentados na calçada, conversando com os vizinhos, e o sorriso no rosto deles, é inspirador!

Bar Utopia | Foto: Glauber Brasil

Ficamos 3 dias nessa cidade linda, acolhedora, com comidas deliciosas, vistas incríveis, templos com um silêncio maravilhoso! É impossível não se encantar com a simpatia das pessoas, que é perceptível que não existe apenas por sermos turistas e estarmos comprando, é algo natural deles. A simpatia, o sorriso, a prontidão em ajudar (mesmo quando não pedimos), a sensibilidade que eles têm, me fez ir embora querendo ficar mais muitos dias por ali, naquela tranquilidade, silêncio e sorrisos!

Luang Prabang me fez ir embora com mais certeza ainda de que não é preciso muito pra ter um sorriso no rosto. Que a cada momento de desespero, correria desordenada, medos, a simplicidade, beleza e simpatia dessa cidade venha abrilhantar minha memória, e me lembrar de que geralmente, as coisas são bem mais simples do que julgamos.

Thalita Santos

Thalita Santos é especialista em Mídia, Informação e Cultura pela ECA/USP. Publicitária, aspirante a atriz e produtora cultural. Apaixonada por artes e por qualquer novo aprendizado que possa surgir.

3 respostas para “O que levei de Luang Prabang”

  1. Eu nunca tinha ouvido falar do Laos, mas depois que você falou me deu uma vontade tão grande de conhecer que quase mudamos nosso roteiro rss pena que não dava mais tempo!!! Lindo texto ❤️

Um comentário aleatório