O que nós mulheres estamos fazendo aos nossos homens?

Esse vídeo me perturbou semana passada. O conteúdo dele é algo no qual eu tenho pensado com frequência e isso tem me incomodado cada vez mais e ainda bem que tenho agora esse espaço, para que, expondo meus pensamentos, alguém pode dizer se sente o mesmo. Nós, mulheres, temos cada dia mais conquistado nosso espaço de respeito dentro da sociedade; o feminismo tem nos empoderado, nos fazendo conhecer nossos direitos e nos dando voz mais forte.

Muitas pessoas que convivem comigo e sabem que sou cristã católica, praticante da minha fé estranham o fato de eu levantar a bandeira do feminismo tão alto e tão forte – dizem ser incoerente. Devo dizer aqui:  não concordo com parte das discussões levantadas, mas sou total apoiadora de que todas as mulheres do mundo tenham, pelo menos, direito de andar na rua sem sentir medo. Comecei esse texto com esse assunto para contextualizar o que vou dizer a seguir.

Com toda essa nossa luta por respeito, impondo até de maneira forçada o respeito ao nosso espaço como mulher, acabamos por pisotear os homens ao nosso redor. Me entenda, por favor, não estou aqui defendendo homem babaca, que canta qualquer corpo feminino que passe perto dele ou que se acha no direito de passar a mão em nossos corpos. Não! Estou falando dos Homens de verdade que vivem ao nosso lado: irmãos, amigos, primos, vizinhos, colegas de trabalho, enfim, os bons homens que convivem conosco e podem estar sufocados pela nossa força.

É inegável: nós mulheres temos uma força interior inacreditável. A gente suporta e passa por cada coisa que as vezes eu penso como a gente consegue! Só que com tudo isso, a gente se esquece que existem pessoas ao nosso lado que são fortes fisicamente, mas as vezes sua força interna não está assim tão boa. Estive observando e pensei muito antes de escrever sobre isso aqui porque é polêmico, eu sei! Mas eu preciso dizer que nós mulheres estamos sendo cruéis com a maioria dos homens que convivem conosco.

Nessa nossa ânsia de nos defender dos abusos que recebemos e reivindicar espaço de respeito, acabamos por atropelar homens que estão ao nosso lado nos defendendo de abusos e apoiando a abertura do nosso espaço. E a gente não vê. Dia desses presenciei uma cena que me partiu o coração. Estava na secretaria da paróquia esperando a secretária e vi um jovem casal, acredito que de namorados, esperando o padre. Sentei bem de frente para os dois e percebi que eles estavam meio impacientes, ela principalmente, andava de um lado para o outro na frente de um rapaz silencioso. De repente ela sai da sala e o rapaz vai atrás dela. Antes ele tivesse ficado sentado. Ela, do lado de fora, gritava com ele como se ele fosse um cachorro: “fica aí! Não mandei você vir atrás de mim! Fica aí!”, cada vez mais alto e mais rude. Aquilo foi MUITO grosseiro. O rapaz se sentou na minha frente novamente, levou as mãos ao rosto e chorou um choro muito dolorido. Sério, a minha vontade foi de me levantar e dizer pra ele: “nunca mais deixe que ela te trate assim. Não sei o que está acontecendo, mas ela não tem o direito de te humilhar desse jeito”. Mas eu fiquei sem jeito de me intrometer e acabei ficando ali, observando ele se quebrar em público, limpar as lágrimas cheio de vergonha e se “recompor”. Logo o padre chegou, ele entrou na sala para conversar com o padre eu fiquei ali com a cabeça cheia de pensamentos do tipo: “o que nós estamos fazendo com os nossos homens?”.

Parece redundância do vídeo, mas homens que expressam seus sentimentos, aqueles profundos, doloridos, que podem demonstrar fraqueza, na verdade são os homens mais fortes que já vi na vida. Tenho dito a muitos homens com quem convivo que é lindo ver um homem que chora. Porque isso significa que ele tem a enorme coragem de mostrar que também sofre ou se alegra; que sente. E homem que sente e demonstra é lindo!

Meu apelo final é para minhas irmãs de gênero: mulheres, vamos voltar à nossa delicadeza. Eu não digo para parar de lutar. Não digo abandonar os ideais de um mundo mais justo para nós. Não! Eu digo voltar à nossa essência feminina de captar sentimentos no ar, de observar as pessoas, de sentir quando alguém precisa de nosso apoio. Deixemos de ser egoístas e vamos olhar para o homem que convive com a gente e ver que ele precisa de palavras de afeto, palavras carinhosas, de um olhar de aprovação. Homens precisam se sentir e ver que são amados, que estamos ali respeitando o que eles sentem. Só assim vamos conseguir equilibrar nossa sociedade. Homens emocionalmente capazes e mulheres delicadamente fortes. A gente precisa olhar as pessoas. Não enxergar: olhar. Ver o que há por trás de um “tá tudo bem”! As vezes não está tudo bem, mas a gente não tem se importado…

Um forte abraço e até o próximo texto!

Fernanda Maria

Relações Públicas de formação, confeiteira por amor e feliz por necessidade! Adoro escrever, observar as pessoas, ouvir boa música e olhar para o céu em busca de nuvens divertidas e respostas para vida!

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