Carta de repúdio

Eu, Lettícia Lages Gusmão, venho formalizar veemente repúdio à ação nefasta das primeiras decisões do excelentíssimo presidente, Senhor Michel Temer. Afirmo que é um retrocesso e tem um impacto negativo na proteção e na promoção dos direitos humanos. Para mim, a situação é repugnante e mais ainda, preocupante. Desde a época em que o Brasil viveu o período de Ditadura Militar, esta é a primeira vez em que o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos é extinto por um governo. Criada para dar visibilidade e garantir o direito de minorias, a Pasta foi retirada da história do governo brasileiro no dia 12 de maio de 2016, quando o presidente assinou os seus primeiros decretos no Diário Oficial da União. Além disso, deu à deputada Fátima Pelaes (PMDB), envolvida em diversas polêmicas por ter uma posição mais conservadora, a Secretaria da Mulher para comandar. De acordo com Temer, ela seria uma “defensora da família e da vida desde a concepção”. Junto ao governo Temer, os aliados provocam náusea igualmente, como por exemplo o deputado Eduardo Cunha. Os principais movimentos feministas do país reuniram milhares de mulheres na Marcha das Mulheres contra Cunha, em protesto à PL do Aborto, em nome de seus direitos e pedindo a saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Para essas representantes dos principais coletivos e organizações feministas que estão à frente dessa luta, o governo do presidente interino e a extinção do Ministério pode agravar o temido retrocesso em liberdade e direitos das mulheres. Há de se dizer também que o Brasil ainda está muito atrasado no quesito participação feminina na política, enquanto no resto do mundo, isso é algo que vem avançando nos últimos tempos. No governo Dilma, o país tinha aproximadamente 13% de representatividade feminina nos Ministérios. Com Temer, o Brasil caiu 22 posições no ranking de igualdade de gênero no Fórum Econômico Mundial. Porém, em meio ao caos instaurado pelo atual governo, não posso deixar de criar minha expectativa e dizer, o governo do Temer é para se temer, mas para se lutar também. O movimento de mulheres tem se renovado e se fortalecido muito nos últimos tempos, quase todos os dias há mobilizações nas redes e nas ruas, ou seja, não vai ser fácil para Temer mexer com os nossos direitos.

Seguir os conselhos de Simone de Beauvoir, neste contexto, parece ser a melhor alternativa: “Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida”.

Lettícia Lages

Lettícia, estudante de jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), metida à escritora. Apaixonada por música, fotografia, poesia, comida japonesa e cerveja. Adora escrever coisas aleatórias e sonha em abrir um bar. De BH para Ouro Preto, de Ouro Preto para onde o mundo me jogar.

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