Se você não soubesse a sua idade, quantos anos teria?

Fazia tempo que eu não tinha um domingo tão preguiçoso, daqueles que a gente acorda tarde e deixa o tempo seguir seu ritmo próprio. De repente eu me deparei com uma frase que dizia mais ou menos o seguinte, “Se você não soubesse a sua idade, quantos anos teria?”

Não sei quem é o autor, mas tudo parou num piscar de olhos e o que sobrou foi uma baita dúvida. Confesso que a frase me pegou tão de surpresa que fiquei parada um minuto na frente do computador pensando sobre isso. Quantos anos eu teria se não soubesse a minha idade? Já parou para pensar? Você se consideraria mais jovem ou mais velho do que realmente é? Se você tem 30 acharia que tem 20? Se tem 40 acharia que tem 30?

Nos meus documentos eu tenho exatamente 27 anos.  Mas as vezes parece que tenho muito mais! Ou muito menos! Tem dias que meus 27 pesam mais do que eu gostaria, que vejo quanto tempo já passou. Outras vezes parece que eles me mostram o quão longe ainda estou de onde eu realmente gostaria. E quanto tempo ainda me resta! E me falta!

É engraçado pensar que um número tão banal pode, as vezes, definir toda uma existência. E como ele é tão incompatível com a realidade. Será que sentimos realmente a nossa idade? Você realmente sente os seus 25, 27, 35, 40 anos? Porque as vezes sinto que meus 27 dobram ou diminuem de acordo com o acontecimento. Quando alguns problemas nos obrigam a ser mais velhos do que realmente somos, ou quando aquele medo bobo faz a gente virar criança de novo. Já conheci tanto adulto-criança e tanta criança-adulto por ai, que realmente me faz pensar que idade está apenas na nossa cabeça.

Está muito mais em como você se percebe do que como os outros te enxergam.  Do adolescente de 15 anos que teve que se tornar adulto cedo demais ou do senhor de 75 que ainda parece àquele jovem de 20. É muito mais emocional do que a sua data de nascimento.

Acho que de todas as formas que conseguimos nos limitar, a idade me parece ser uma das mais cruéis. Porque simplesmente te define com um número tão simples e, as vezes, te encaixota em estereótipos tão banais.  E as vezes parece que nos restringimos tanto por conta da nossa idade. Como se o peso do número definisse quem somos de verdade.

Talvez seja a hora de olharmos as pessoas além da idade registrada no documento, além das rugas dos olhos, além do tempo de nascimento. E ver elas como simplesmente são, pessoas, as vezes adultos, as vezes crianças, sempre com uma idade diferente. Porque não é o número que nos define, mas a vida que vivemos.

Rafaela Moyses

Rafaela Moyses, Bacharel em Relações Públicas, nerd de plantão e amante de livros. Apaixonada pela arte de ler e escrever, busca nas palavras o refúgio da vida.

Um comentário aleatório