A importância de se conhecer e de saber cultivar ações que geram quietude e paz interna

Convivemos com nós mesmos há anos. Por meio desse tempo tivemos a oportunidade de nos conhecer profundamente. Nossos valores, aquilo que prezamos, aquilo que realmente nos gera benefício, as coisas que não nos fazem bem e o que não queremos para nós. Não estou falando apenas de prazeres, estou falando também (e principalmente) de ações e pensamentos salutares que geram paz interior e autossatisfação. Como prazeres podemos citar comida, bebida, sexo, bens materiais, bajulação, lazeres, eventos dos mais diversos, etc. Essas características estão associadas ao seu “eu”, atreladas ao seu personagem nessa vida, à sua identidade, ao ego. As ações salutares são mais amplas e universais, elas estão atreladas a você como criatura divina feita a imagem e semelhança do criador, ao seu ser pleno, de luz e amor, conectado ao mundo, interligado a ele, um verdadeiro milagre de energia criativa livre, bem além dos nossos “personagens”.

Como ações salutares podemos citar todas aquelas que purificam e acalmam a mente, produzem paz e harmonia interior e geram benefício duradouro a você e outros seres, como a oração, a meditação, a autorreflexão compassiva, o respeito por todos os seres, a tolerância, o ato de prestar benefício a outros, o ato de se abster de toda e qualquer ação que possa (seja com palavras ou com atos) prejudicar ou difamar os outros, o amor genuíno (aquele amor que diz com toda sinceridade “desejo a sua felicidade de todo o coração, seja onde for, como for, com quem for”. Aquele amor que impulsiona o outro para atingir todo seu potencial, independendo do resto), o amor genuíno nutrido por todos os seres, a compaixão, a empatia, entre outras que desenvolverei melhor abaixo.

As ações salutares proporcionam uma mente calma e serena, livre de agitação, que é fundamental para que você continue enxergando o caminho, possibilitando que você continue trilhando-o. As formas de praticar as ações salutares envolvem: 1) linguagem correta: Linguagem pura, verdadeira e salutar, sendo impecável com a sua palavra, manifestando-se com amor, compaixão e empatia, com humildade e total abertura. Comunicar-se com o objetivo de gerar benefício ao outro e apenas se isso for gerar benefício ao outro. Isso significa jamais fazer qualquer registro negativo sobre alguém sem que seja exclusivamente para essa pessoa, de forma amorosa, com objetivo de ajudá-la. E comunicar-se com compaixão e empatia faz com que você consiga realizá-la da melhor forma, partindo de um lugar calmo de aceitação, igualdade e abertura. Crie harmonia com suas palavras, jamais o contrário. Lembre-se daquilo que te conecta como ser humano e daquilo que te conecta a todos os outros seres humanos: todos somos seres falhos tentando ser felizes. Todos. Todos sofremos e buscamos nos livrar do sofrimento. Todos. Os meios que são usados para isso não devem ser julgados por nós. Não é nosso papel. Eles dependem de inúmeros fatores sobre os quais não temos qualquer influência, como kharma, educação recebida, trajetória de vida, contexto de vida, cargas de outras vidas, oportunidades recebidas, etc. Partindo desse princípio de igualdade e conexão, aja sempre com amor, respeito, humildade e tolerância ao próximo. O que é dele é dele, o que é seu é seu. Exercite seu estado de não perturbação. Tudo que você precisa já está dentro de você, os outros não tem esse poder de te perturbar e nem de te atribuir nada. A única coisa que faz com que eles tenham poder sob você é você mesmo. Portanto, toda (toda!!!) força já está aí com você.

2) Ação correta – “Deixando de lado o bastão e a espada, ele tem o cuidado de não fazer mal a ninguém, cheio de bondade, procurando o bem de todas as criaturas vivas. Livre de ações furtivas, ele mesmo vive como ser puro”, Buddha. Sabendo quais ações e atos tiram você de sua plena faculdade mental e tranquilidade, evite-as. Sempre há um outro caminho. Saiba que as ações de prazer, todas elas, possuem prazo de validade. Muitas delas, inclusive, trazem posterior arrependimento na mesma proporção ou até maior do que o prazer gerado. Lembre-se que seu potencial amplo e pleno como criatura divina está acima do seu “personagem”. Por isso, antes de fazer, saiba realmente se aquilo vai te fazer bem de forma real e duradoura, sem futuras consequências negativas. No Budismo, há 5 preceitos mínimos necessários para a conduta moral: 1- abster-se de matar qualquer criatura viva, 2- abster-se de roubar, 3- abster-se de má conduta sexual, 4- abster-se de dizer falsidades, 5- abster-se de usar intoxicantes. Outra pratica extremamente interessante, além da meditação, é de, ao menos por um determinado tempo, ficar em silêncio somente com você, buscando conectar-se com seu eu maior, acalmando a sua mente e, com isso, conseguindo enxergar as coisas com clareza. Precisamos contrabalancear os momentos de união e intimidade com períodos de autonomia e individualidade em que temos que ficar sozinhos e nos voltar para dentro, nos reconectando com nossa essência mais pura.

3) Modo de Vida Correto – Esse envolve seu meio de sustento. Ele deve seguir alguns preceitos fundamentais, como “ganhar a vida” sem transgredir princípios de não comercializar armas, não comercializar pessoas, não comercializar drogas nem nada que seja nocivo aos seres e ao planeta. Além disso, a forma de se relacionar com as pessoas no seu meio também é fundamental. Isso implica não provocar desentendimentos, não fazer intrigas, não falar dos erros e das faltas alheias. Desenvolva sabedoria e compaixão em qualquer lugar com quaisquer seres. Sua atividade está servindo com dignidade?

4) Esforço Correto – Queremos atingir um estado de tranquilidade e leveza. Por isso, o esforço correto é aquele mais natural, que respeita a si mesmo. Além disso, o esforço correto é aplicado no tempo presente, é estar inteiramente presente no agora. “Não siga o passado e não se perca no futuro. O passado não existe mais, o futuro ainda não chegou. Observando profundamente a vida como ela é, aqui e agora, é que permanecemos equilibrados e livres”. Buddha. Você já ganhou algo se pré-ocupando? A pré-ocupação faz mal à saúde e diminuí nossa capacidade de perceber as coisas. Ocupar-se antes da hora, temer que saia errado, pensar no que pode ser que aconteça de ruim, desvia nossa atenção do que precisamos fazer no agora e diminui nossa capacidade de ação. Quando se está confiante em si e na vida, sereno e calmo, você faz tudo melhor. Viva o hoje e não se meta naquilo que você não compreende (Deus). Faça a sua parte, e a sua parte é fazer o seu melhor, hoje. Esteja atento a todos os seres com quem se relaciona no agora. Veja se há forma de prestar-lhes benefício, seja com sua atenção, com suas palavras, com um sorriso, com alguma ajuda específica.

Para finalizar, se cometer um erro, aceite-o, todos nós erramos. Tente evita-lo na próxima vez. É possível, até provável, que volte a falhar. Aceite-o novamente, sorria, e tente diferente na próxima. Quando conseguimos aceitar o erro com autocompaixão nutrindo vontade de fazer melhor na próxima vez estamos nos desapegando do erro, do ego, do nosso padrão antigo, para caminhar rumo a quem queremos ser. Ao realizar essa transformação mostramos a nós mesmos nosso verdadeiro potencial, aquele pleno e amplo citado no início do texto.

Publicações de apoio (e sugestões de leitura):

“O Sofrimento é Opcional” – Monja Coen
“A arte da Felicidade” – Dalai Lama e Howard C. Cutler
“Jornada para a Autorealização” – Paramahansa Yogananda
“Como ser Feliz o Tempo Todo” – Paramahansa Yogananda
“Sem Medo de Viver” – Zibia Gasparetto, ditado por Lucius
“A Identidade da Alma” – Panache Desai

Francisco Gallucci

Meu nome é Francisco Gallucci Neto, 29 anos, de Indaiatuba-SP. A única coisa que me define é: ser encarnado buscando a felicidade. O restante é metamorfose ambulante. Formado em Jornalismo, carreira em Marketing, ainda buscando o caminho. E é sobre isso (essa busca) que escrevo.

Um comentário aleatório