A primeira reflexão e os primeiros passos

O ponto inicial de reflexão deste primeiro texto é da busca, através da verdadeira sabedoria, de formas de alcançar a real felicidade, ou seja, da libertação do sofrimento. Trata-se de uma série de 3 (três) textos. Vamos ao primeiro deles:

Um dos pontos de partida dos ensinamentos budistas são as 4 Nobres Verdades. A primeira delas é justamente o sofrimento (Dukkha). Nós sofremos, fato. A partir daí, precisamos conhecer e reconhecer esse sofrimento. Ter a coragem de entrar em contato com ele em sua mais pura realidade. Normalmente criamos inúmeros mecanismos para lidar com o sofrimento. Infelizmente, a grande maioria deles são mecanismos de fuga (diversos deles se desenvolvem em vícios), que acabam por mascarar e postergar o problema, causando mais sofrimento. Por um momento, se quisermos mesmo sair deste lugar para algo mais amplo, precisamos encarar a realidade tal como ela é. Não se julgue nesse processo, não é hora de ser juiz e nem é o seu papel. Além disso, entrar em contato com seu sofrimento requer muita coragem, portanto, sinta fluir em você esse reconhecimento de força e coragem por estar fazendo isso. É um momento de contato com a nossa parte mais sombria, aquela da qual passamos anos tentando não dar abertura. Acontece que, para dar o primeiro passo para sair do sofrimento, é necessário conhecer sua sombra.

Para realizar esse processo você precisa estar ciente que todo ser humano sofre. Sofrer é o aspecto que o torna mais humano. É algo que te conecta com todos. Além disso, você, assim como todos os seres, busca a felicidade. Esse é outro ponto fundamental de conexão entre você e o mundo. A partir desse lugar de conexão, sinta primeiramente compaixão por ti. Esse processo não existe sem autocompaixão. Somos falhos, justamente por isso estamos aqui, e o passado só deve ter força de nos impulsionar e ensinar a sermos melhores no futuro, e isso só será possível nutrindo compaixão por você, no presente. Só podemos mudar e melhorar através de amor e da compaixão por nós mesmos. Portanto, esse processo não envolve, de forma nenhuma, em nenhum momento, autojulgamento. Apenas autoanálise, com finalidade de se melhorar para te colocar para cima, não para te criticar e te jogar pra baixo.

Bom, para efetivamente entrarmos em contato com nosso sofrimento, a reflexão silenciosa é um exercício bastante válido, especialmente no momento em que o sofrimento brotar. Naturalmente, surgirão algumas emoções junto com o sofrimento. Por mais difícil que seja, o ideal é não reagir a nenhuma delas, nem as bloquear. Deixe-as fluírem sobre você, sem reagir, só observando, como um espectador que dá um passo atrás e observa tudo acontecendo a sua frente. Dor, medo, culpa, tristeza, raiva, vergonha, ódio, orgulho, desilusão, autocrítica, entre outros, são algumas das emoções que podem (e provavelmente vão) brotar. Deixando elas fluírem, uma hora elas cumprirão seu curso e silenciarão, como tudo na vida. Mas não force a barra, vá até onde achar que “dá pé”. É importante não bloquear nem julgar nenhuma emoção, pois estamos tentando entrar em contato real conosco.

Do outro lado desse movimento será possível fazer análises efetivas sobre seu sofrimento e, com isso, refletir sobre suas causas. Essa é a segunda Nobre Verdade do Budismo, a Causalidade. Existem causas para o nosso sofrimento, e nós precisamos descobri-las a fim de dar os primeiros passos para fora desse lugar. A melhor notícia é que, para cada causa, há um antídoto! Entrando em contato com a causa, você vai conseguir refletir sobre o antídoto. Talvez leve tempo, talvez surja rapidamente. Talvez, depois que surgir, você precise fazer ajustes no antídoto durante o “caminho”, mas, fato é que mais cedo ou mais tarde, ao se permitir entrar em contato real com seu sofrimento (deixando suas emoções fluírem sem bloqueá-las ou julgá-las) você vai conseguir perceber as causas e a partir disso conseguirá refletir sobre formas de exercitar um caminho contrário a elas (os antídotos).

Você se conhecer, realmente, é fundamental para sua real felicidade. Sobre isso será a segunda reflexão.

Publicações de apoio (e sugestões de leitura):
“As 4 Nobres Verdades do Budismo e o Caminho da Libertação” – Chogyam Trungpa
“O Sofrimento é Opcional” – Monja Coen
“A Identidade da Alma” – Panache Desai
“Autocompaixão” – Kristin Neff
“Você Pode Curar a Sua Vida” – Louise L. Hay

Francisco Gallucci

Meu nome é Francisco Gallucci Neto, 29 anos, de Indaiatuba-SP. A única coisa que me define é: ser encarnado buscando a felicidade. O restante é metamorfose ambulante. Formado em Jornalismo, carreira em Marketing, ainda buscando o caminho. E é sobre isso (essa busca) que escrevo.

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