Eu não sou planta, mas a vida me poda!

Talvez ninguém saiba, mas eu adoro rosas! Sou a louca das mudas quando vou numa casa onde tem uma roseira diferente das roseiras que tenho em casa. Não tenho a menor vergonha em pedir uma muda pro dono da casa, fico super feliz quando me dão uma rosa, independente da cor, pra eu poder plantar. E olha, até aquelas rosas que a gente ganha em buquês (o que faz tempo que não acontece….) se eu espero começar a soltar um brotinho – isso acontece quando a gente deixa bastante tempo na água, que é trocada com frequência; o broto sai como um nozinho no caule. Corte em diagonal um palmo acima desse nozinho e enterre num lugar que pegue bastante sol, em terra firme! #ficadica – e planto, geralmente a muda pega!

Uma das muitas rosas vermelhas do quintal!

Mas esse texto hoje não é pra te dar dicas de jardinagem e sim usar a jardinagem pra te ajudar a entender essa dor que dá nas suas “pontas” vez ou outra. Essa dor se chama PODA! Como eu falei, sou a louca das mudas e em todo o lugar que vou peço uma muda de rosas ou então alguém me dá essa flor porque sabe que eu gosto. Ou seja, meu quintal tem várias roseiras! E alguém tem que cuidar delas e que esse alguém seja eu… Pois bem: inverno passado as roseiras feinhas, fui eu no Dr. Google pesquisar como se podam as roseiras para que, na próxima primavera, elas dessem bastante flor e colorissem meu quintal (e minha vida!) E lá fui eu, de tesoura em punho, spray com vinagre para afastar as pragas que estavam nelas (pulgões, eu odeio vocês…) e comecei a poda! Corta um pedacinho aqui, outro galho aqui, faz um corte maior nessa que tá doente e por aí foi.

Lá pela terceira roseira, eu já estava filosofando em silêncio: minha vida tem sofrido podas por todos os lados: “amigos” que foram podados, situações que foram lançadas fora, pessoas que eram pragas e que foram exterminadas. E aí pensei: se a planta pudesse falar, as roseiras todas estariam me xingando de forma muito intensa, porque eu estou causando uma dor nelas sem tamanho. As vezes, a vida nos causa essa dor através de situações que mudam a gente, que nos obrigam a cortar coisas, que fazem com que a gente se reinvente de dentro pra fora, se (re)conheça e tantas outras “podas” que a gente sofre. Aí nessa, fui filosofando, cortando e cuidando das minhas plantinhas…

Quando chegou a primavera querida, meu quintal ficou lindo! Tinha rosa vermelha em vários tons e formas diferentes; tinha rosas cor de rosa em cachos enormes; tinha galho com, pelo menos, quatro botões. Eu fiquei realizada, me achando a melhor jardineira do bairro! Minha poda tinha dado certo! Contemplando minhas flores, foi hora de refletir de novo: a cada poda que a vida me fez, eu senti uma dor enorme e diferente: mudar de emprego e ver tudo dando errado; ver minha vida financeira virar um caos; ver meus planos de relacionamento serem frustrados, um atrás do outro; ver meu avesso cheio de falhas e pontos a melhorar. Ai! Só que as flores lindas e perfumadas me deram outra perspectiva, a das MINHAS flores! Eita que a filosofia ficou ainda melhor!

Comecei a pensar que cada poda da vida me transformou numa “roseira” mais forte, com mais flores e menos pragas (sério, eu detesto pulgão….). Quando eu vi meu negócio sonhado emperrado, a vida cortou os galhos da insegurança para eu poder florescer em produção de biscoitos; quando meus relacionamentos foram dando errado, a vida me podou na necessidade de alguém do lado para ser feliz e me floresceu um amor próprio com “ cinco botões em cada galho”; quando a vida me fez uma poda severa mostrando um interior que eu desconhecia, ganhei uma florada de auto conhecimento, crescimento, amadurecimento e amor próprio. E como é gratificante olhar para mim agora e ver que planta bonita eu estou me formando!

Você já parou para se admirar? A gente tem o hábito de admirar os outros e olhar para as grandezas só dos outros mas nunca repara em nossas próprias grandezas. Talvez porque a gente possa ter sido criado para não ficar “se achando” demais ou porque vive numa sociedade onde enaltecer suas próprias qualidades (de maneira saudável tá?!), seja visto como pura vaidade e orgulho. Pare com isso JÁ! Se admire! Seja você um incentivador próprio. Não espere ter sempre um tapinha nas costas te parabenizando: dê você um tapinha nas suas próprias costas por conquistar o que tem conquistado!

Por fim pois já me alonguei muito, aceite as podas da vida e tenha em mente que, se tudo está sendo cortado da sua vida, aparentemente dando errado, espere um tempo e não desista: suas flores estão chegando. Talvez demora o tempo entre o inverno e a primavera, talvez demore mais, mas elas vêm. Na minha vida elas estão vindo, algumas em maior quantidade, outras menos. Assim como minhas roseiras: algumas deram muitas rosas, outras menos e uma deu uma rosa só, que durou dois dias e era minha roseira favorita. Só por isso, eu não desisti dela. Cuidei de novo ao final da florada, dei uma podadinha light, só pra tirar uma ponta ou outra de galho seco. Folhas novas ela já tem… ;)

Ai que coisinha mais fofa essa folhinha! É, sou apaixonada nelas!

Um abraço, com desejo de novas podas na sua vida!

Fernanda Maria

Relações Públicas de formação, confeiteira por amor e feliz por necessidade! Adoro escrever, observar as pessoas, ouvir boa música e olhar para o céu em busca de nuvens divertidas e respostas para vida!

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