Não pensar também é maravilhoso

Fonte: Pinterest

Há algumas semanas, estou dando aula de teatro para jovens e crianças, na Associação Nossa Turma. É claro que em tão pouco tempo, já tenho aprendido um tanto sobre mim mesma e sobre tantas outras coisas com aqueles meninos e meninas.

Na última segunda-feira, depois de um exercício que eu considerava um desafio (ao menos pra mim, enquanto atriz), ao questioná-los sobre a dificuldade de fazê-lo, uma aluna, de maneira muito espontânea e natural, me disse: “não é difícil não professora, é só não pensar”. Sim, eu fiquei pensando muito sobre essa simples frase haha Sim, eu penso demais. Todo o tempo, e milhares de coisas ao mesmo tempo. E como o “pensar”, é capaz de nos travar. É claro que não dá pra sair enlouquecidamente fazendo tudo o que vem na cabeça, sem pensar em consequências, mas por diversas vezes, o “não pensar”, significa também respirar fundo e aceitar a situação, não como forma de comodismo, mas como forma de se permitir sentir prazer naquele momento.

Eu sempre fui muito tímida, e hoje, depois de muita terapia, e mil buscas, percebo como é bom quando você começa a se conhecer um pouco mais, e perceber que o seu silêncio, muitas vezes, não é porque você é chata, ou porque os outros são. Trata-se apenas do pensar demais. Daquela preocupação de imaginar o que vão pensar de você, o que vão comentar de você, o que você mesma vai pensar ao ouvir sua voz, e mais ainda, o que você pode dizer? Como pode dizer? Será que faz sentido? Será interessante? Sim, são milhares de questionamentos que passam pela cabeça de uma pessoa ansiosa em poucos segundos.

O “não pensar” significa se libertar de todos esses questionamentos, de toda a preocupação do que pode ocorrer em 5 minutos. Essa liberdade, além de trazer aquela sensação maravilhosa de quando você se conhece o suficiente pra saber o que fazer pra tentar melhorar (não significa que vai conseguir, mas o tentar já é uma forma de melhorar), traz momentos que você nunca viveria se não se permitisse errar, cair, falar uma besteira qualquer e fazer as pessoas rirem, dar uma opinião sobre algo que acredita e talvez nem todos concordem. O “não pensar” é libertador, e espero que cada vez mais crianças tenham esse mesmo discurso, sem tantas auto cobranças, sem tantos medos. Que bom que podemos tentar, todos os dias, a superar esses medos, e principalmente, a desistir da incansável e injusta cobrança de sermos perfeitos!

** Aproveitando o post, quero divulgar o evento que teremos na Associação, no dia 07 de maio =)  Crianças com até 10 anos, desde que acompanhadas, não pagam! Vem ajudar também <3

 

 

Thalita Santos

Thalita Santos é especialista em Mídia, Informação e Cultura pela ECA/USP. Publicitária, aspirante a atriz e produtora cultural. Apaixonada por artes e por qualquer novo aprendizado que possa surgir.

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