O Caminho da Libertação

Em algum momento, aos poucos, através de práticas fundamentais de auto-conexão com seu mundo interno, de paz e serenidade – como meditação, como técnicas de respiração (as Pranayamas, respirações da Yoga, por exemplo), como silêncio, entre outras, além das práticas das ações salutares (citadas no último texto) – conseguimos cultivar um estágio de mente calma e de satisfação pessoal muito saudáveis. Esse lugar não é atingível pelos elementos externos causais da vida, porque estamos satisfeitos com nós mesmos. Estamos conectados com nossa essência, àquilo que nos faz bem. A partir desse lugar conseguimos realizar as autoanálises e reflexões que nos guiarão por caminhos que nos trarão verdadeiras realizações. Deste lugar estaremos abertos à verdadeira sabedoria que a vida traz, a todo momento, até nós. O primeiro passo, então, é buscar essa paz e satisfação interna através das práticas recomendadas aqui e nos últimos textos. Você não é capaz de ficar irritado, frustrado, furioso ou inseguro quando está em paz consigo mesmo.

Se ainda não percebeu, você vai perceber que a vida é um constante movimento de tudo. Que absolutamente nada é estático, nada. Nem seu organismo, nem nenhum organismo, nem a natureza, nem nada na natureza, nem o universo, nem nada no universo. Tudo está mudando e se transformando a todo tempo. Você não consegue colocar seu pé no mesmo rio duas vezes – não apenas porque aquela água já passou, mas também porque você já não é mais o mesmo que era há segundos atrás. Feito esse “parêntese”, sabendo que estamos sujeitos à vida e ao que ela nos traz, que a vida tem vontade própria, quanto mais rígidos estivermos em relação a ela, mais sofreremos. Quanto mais quisermos estar no controle de tudo, segurando, desejando que “as coisas” saiam do jeito que a nossa perspectiva subjetiva (que a nossa ignorância pensa ser objetiva) acha que deveria ser, mais a vida vai agir diferente mostrando que não sabemos o melhor, que esse é um papel dela, e que nosso papel é apenas ser o nosso melhor com nós mesmos. Enquanto não aprendermos a soltar o controle e nos posicionarmos ao lado do que o destino traz pra nós, com confiança e tranquilidade, estaremos sofrendo e seremos escravos das reações emocionais que as mudanças da vida causarão em nós. Seremos vítimas de nós mesmos. A percepção mais valiosa parte, em primeiro lugar, de saber que é Deus quem rege a vida, que o poder está com ele e que esse papel é dele. Que Deus é Onipresente, Onipotente e Onisciente, que absolutamente tudo acontece para o melhor, mesmo que através da chaga da nossa ignorância não consigamos perceber que é para o melhor (do futuro sempre olhamos para os “infortúnios” do passado com gratidão, né?). Essa sabedoria traz um profundo sentimento de alívio e paz. Tudo provém de Deus, e ele ama a todos, sem exceção.

Deste lugar de tranquilidade, o medo, a ansiedade e o controle vão perdendo poder. Novamente, estamos desenvolvendo uma mente calma e não reativa, cultivando satisfação pessoal. Há aí um ciclo de paz. Essa mente calma e não reativa é ponto de partida do desenvolvimento da capacidade de nos tornarmos expectadores das emoções que nos ocorrem quando elas ocorrem, não depois que já ocorreram e já reagimos impulsivamente. Percebê-las durante o surgimento nos dá o poder de não sermos escravos dela. Cria-se condições para não reagirmos a ela, evitando frustrações e arrependimentos. Como citei no primeiro texto, alguns exemplos dessas emoções: Dor, medo, culpa, tristeza, raiva, ciúme, inveja, vergonha, ódio, orgulho, desilusão, controle, rigidez, autocrítica, avidez, etc. Esse poder nos coloca no lugar de senhor de nós mesmos, sentados na poltrona do “eu maior”. Com o tempo, praticando, isso se fortalece, como um músculo treinado em musculação. A flacidez/fraqueza se torna força através da prática. Mantendo a não-reatividade, a emoção vai seguindo seu curso, sumindo (como todos os ciclos emocionais, que possuem começo, meio e fim), e você volta a estar tranquilo, sem prejuízos. Deste lugar de tranquilidade, aí sim, você consegue discernir o melhor a ser feito, e o faz sem qualquer peso.

O primeiro ciclo emocional que você conseguir deixar passar por ti sem reagir a ele, sem dar esse poder a ele, te dará uma sensação incrível de poder. “As realizações valiosas da vida não são as que ocorrem no mundo exterior, são as vitórias que obtemos dentro de nós mesmos”, Paramahansa Yogananda. Mostra a nós a possibilidade, o recurso de não sermos manipulados e regidos pelo impulso, que cultiva novamente sensação de auto-satisfação. Todo mundo sabe que agir com calma e lucidez, se ouvindo com clareza, traz bons frutos, e re-agir com impulso e emoção, na grande maioria das vezes, gera frustração e arrependimento. Portanto, desfrute dessas auto-conquistas. Caso sinta dificuldade, não se desespere. Você já trilhou um caminho até aqui, então já sabe o trajeto de volta: retorne aos primeiros passos (explicados nos textos anteriores), entre em contato com tudo, inclusive o sofrimento, sem reagir a ele, e seremos capazes de perceber o que precisamos para desenvolver nossos antídotos, dissolver crenças limitantes e voltar a cultivar o lugar de auto-satisfação.

É importante reforçar a importância da ajuda profissional em tudo isso. Além das reflexões que vêm através de leituras, palestras, vídeos e cursos, o auxílio da psicoterapia trata elementos super importantes mais enraizados do subconsciente, te dando a oportunidade de resignificá-los e consequentemente, de se libertar ainda mais. Para aqueles que acreditam, tratamento espiritual através de centro-espírita também ajuda a cultivar o estado de paz e tranquilidade. Yoga e meditação, nem se fala, eles efetivamente te colocam nesse lugar. E, como já explicamos, é desse lugar que brotam ações salutares, esforço correto, mente calma e não reativa, que gera ainda mais satisfação pessoal, e o ciclo está criado!

Francisco Gallucci

Meu nome é Francisco Gallucci Neto, 29 anos, de Indaiatuba-SP. A única coisa que me define é: ser encarnado buscando a felicidade. O restante é metamorfose ambulante. Formado em Jornalismo, carreira em Marketing, ainda buscando o caminho. E é sobre isso (essa busca) que escrevo.

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