O texto mais difícil de publicar

Na morte, celebrar a vida!

Hoje faz pouco mais de dois meses que minha avó faleceu. E resolvi escrever esse texto para parar de assombrar as pessoas quando digo que não estou sofrendo com a morte dela (não sofri com sete dias do falecimento e nem sofro agora!). Sim, não estou sofrendo! Faz um tempão que quero escrever sobre as pessoas que são apegadas no sofrimento, que parecem necessitar do sofrimento para ser aceitas e o fato da minha avó só fez afirmar dentro de mim a necessidade desse texto.

Para te fazer entender, minha família não é do tipo melodramática. Longe disso, somos realistas demais e a realidade assusta as pessoas! Desde a minha bisavó, vó da minha mãe, fomos ensinados a não aceitar injustiça, a brigar pelo que era direito e a enfrentar com coragem as duras realidades da vida, desde a morte até simples questões de personalidade dos membros da família. Dessa forma, eu fui criada para enfrentar as coisas como são. Quem me acompanha no Facebook, leu um pequeno desabafo que fiz na última vez que passei a noite com a Dona Aguinha no hospital. Era dolorido demais ver aquela pessoa que foi motivo de gargalhadas a vida toda sofrendo, amarrada numa cama de pronto socorro. Doía mais vê-la daquele jeito do que doeu vê-la no caixão, em seu velório. E por isso, a todos que me perguntavam e perguntam como estou eu digo: estou muito bem!

Uma coisa é fato: tem gente que pensa que para sentir a falta de alguém é necessário demonstrar no rosto o sofrimento que está sentindo e isso não é bem assim. Não é necessário viver um luto eterno por algum ente querido que morreu só pra demonstrar às outras pessoas o quanto o falecido era importante. Melhor forma de mostrar que o defunto era importante é vivendo a nossa vida da melhor maneira que encontrarmos, preenchendo o vazio físico daquela pessoa com as boas lembranças que ficaram. E por isso, na morte, celebrar a vida!

No México a morte é celebrada e cultuada e tal fato gera um estranhamento ao redor do mundo. O que eu acho uma pena, porque se a gente enfrentasse a morte com a naturalidade que ela carrega, celebraríamos muito mais a vida que a pessoa falecida teve do que a falta que ela vai fazer. Minha vó vai fazer falta? Sim, a cada dia que for visitar meu avô e ela não estiver mais lá pra me perguntar como anda a busca por um namorado… (se bem que agora, com ela perto de Santo Antônio, as coisas podem começar a mudar… Só Acho! Hahahah) Porém, seria uma injustiça com a vida da minha vó se eu só sentisse a ausência dela e me esquecesse do quanto ela foi presente (nos dois sentidos) na minha vida.

Viva – A Vida é uma Festa! Disney-Pixar

Conheço pessoas que vivem a morte somente como a ausência, a perda, a falta e, de novo, é uma injustiça com a memória de quem morreu. Se as pessoas olhassem para a morte como algo que acontece e focassem na VIDA vivida, nas memórias construídas e nas lembranças, os lutos seriam mais leves, como está sendo o meu. Ninguém nem imagina a falta que aquela vovozinha vai fazer nos meus domingos de visita; talvez nem eu soubesse do tamanho do amor que eu tenho nela (realmente, é só perdendo que a gente enxerga). Mas como diz a letra da música linda desse post, “todo o amor que eu tenho”, metade foi ela quem me deu! E de que outra maneira eu poderia eternizar minha avó senão amando as pessoas que são importantes pra mim e fazendo elas se sentirem tão bem na minha presença como eu me sentia na presença dela?

E eu não compreendo as pessoas que vivem um sofrimento eterno pela perda de alguém muito querido. Não é necessário que você chore, derrube seu semblante, ande vestido de preto para demonstrar que a pessoa que morreu foi importante. Viva a SUA VIDA da maneira mais plena que encontrar e transmita às pessoas ao seu redor aquilo que o falecido representou pra você. Entende? É assim que a gente mostra que alguém foi e é importante na nossa vida, não chorando por anos a fio a perda da pessoa. Porque além de causar um buraco cada vez maior em si mesmo,  aumenta  a dor da perda pessoas que também perderam alguém querido e que vivem ao se redor. Ai, doeu!

Pode parecer maldade, insensibilidade, mas é realidade e, como disse no começo do texto, a realidade dói às vezes! Eu estou aqui, de pé, cada dia mais feliz com o descanso da minha vó, cada dia mais tranquila com sua partida. Talvez, ao ouvir alguma música que ela gostava, eu tenha uma vontadinha de chorar. E talvez eu chore. Ou talvez não, e cante com toda a minha força, como forma de homenagear aquela que cantava, ria, contava piadas e ouvia nossos papos furados e dava conselhos que vão servir pra minha vida toda.

Na minha opinião pequena e limitada, eu acho que essa é a melhor forma de enfrentar a perda de alguém amado, independente de quem seja, do quanto você ame e de quanta falta a pessoa vai fazer no seu dia a dia. Enfrente com coragem e resignação a realidade que está à sua frente: por mais força que você faça, a pessoa não volta. Preencha esse vazio físico com todas as memórias da pessoa, celebre sua vida e a vida dela e não permita ficar amarrado num sofrimento eterno. Se estou no direito de ensinar alguma coisa é isso: a maior declaração que alguém foi importante na nossa vida, é celebrando a vida, quando a morte chega.

Uma mini Fernandinha, um vôzão e uma vovó sorridente e apaixonada!

Um abraço de conforto a você que, assim como eu, vive a perda de alguém amado! Vai passar, no seu tempo. Só não se esqueça de tudo o que foi bom só porque a pessoa não está mais presente ok?!

Até semana que vem!

Fernanda Maria

Relações Públicas de formação, confeiteira por amor e feliz por necessidade! Adoro escrever, observar as pessoas, ouvir boa música e olhar para o céu em busca de nuvens divertidas e respostas para vida!

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