Pare, olhe, contemple!

Achei o vídeo tão fófis que você deveria apreciá-lo!

Eu tenho observado com atenção as crianças de hoje em dia: não se fazem mais crianças como antigamente! rs Porque eu digo isso: minha sobrinha de 9 anos não tem a menor paciência de fazer o que eu fazia aos 9 anos: contemplar! Eu passava o maior tempo nas minhas tardes sem escola brincando no quintal de casa e parte desse tempo era deitada no gramado, sob o sol, olhando as nuvens dançando no céu. Até hoje gosto de parar e olhar para as nuvens ou para o céu limpo ou ainda para as estrelas. Ela não! Ela assiste televisão enquanto mexe no celular porque diz não conseguir prestar atenção em uma coisa só! Ela, aos n-o-v-e-a-n-o-s, morre de tédio de ficar sem fazer nada!

É a minha sobrinha, mas pode ser seu irmãozinho menor, seu primo, seus vizinhos. Fato é que cada dia mais cedo estamos perdendo a capacidade de contemplar o que tem de belo para ser contemplado: o pôr e o nascer do sol, as flores coloridas, o mar, as árvores, as cores de um passarinho, o azul do céu, uma obra de arte em um museu, um espetáculo de dança, música (sim, eu aprecio música como aprecio um quadro!) ou contemplar simplesmente a falta do que fazer! Nós estamos perdendo a capacidade de nos surpreender com pequenas coisas bonitas!

Fim de tarde na praia do Lázaro – Ubatuba/SP. Arquivo pessoal.

O problema disso é nossa vida vai pegando uma forma mecânica, engessada, robotizada, fria de acontecer. Me acompanha: quanto menos coisas belas a gente enxergar, menos pessoas belas nós vamos enxergar. E por belas, digo interna e exteriormente! E vamos nos tornando criaturas miojo: três minutinhos e já está bom. Isso leva a gente também para o mal do século, para ela, a vazia superficialidade. Tudo vai ficando superficial, sem profundidade, vazia de sentido.

Agora, se a gente contempla o que há para ser contemplado na vida, olhando com olhos de surpresa para a vida, nós vamos nos tornando pessoas mais profundas, que se interessam pela profundidade das coisas e das pessoas. Veja bem: se você olha uma obra de arte muito rapidamente, corre o risco de nem prestar atenção em detalhes importantes. Mas, se você olha atentamente, percebe cada detalhe, cada pincelada, as misturas das cores, como tudo tem uma harmonia. Indo mais fundo, conhecendo o pintor e sua fase de vida, podemos entender o motivo de tantas cores claras ou escuras, o porquê de pinceladas mais fortes ou bem suaves. Percebe como a superficialidade e a velocidade nos roubam coisas maravilhosas?

Dá pra enxergar coisas belas em alta velocidade?! 

Hoje em dia eu tenho aberto meu olhar para enxergar as profundidades das pessoas, na natureza e nas coisas ao meu redor. Isso dá trabalho, me custa tempo, mas eu já não me contento com coisa pouca! Já disse no texto sobre a solidão acompanhada que tem me desanimado conversar com quem não tira o olho do celular. Tudo isso porque eu quero olhar no olho da minha companhia. Com isso, eu enxergo seus sentimentos, suas reações e a cor do olho. Você sabe a cor dos olhos de seus melhores amigos? Aliás, você tem coragem de olhar as pessoas no olho? Se você não faz isso, não sabe o que perde!

Te faço um convite para, ao terminar esse texto, olhar pela janela ou porta mais próxima. O que você vê? Se é só cimento e asfalto, erga os olhos. O que você vê? É belo? Te “esquenta” o coração? Pare e observe por um tempo. Tome fôlego. Respire bem fundo e deixe sua mente se aprofundar! Aprecie seu momento de contemplação e paz de espírito. Quando acabar, comece de novo! E repita o processo! Você perceberá a diferença nas suas relações e na sua forma de levar a vida!

Pare. Olhe. Contemple. Se surpreenda! 

Um grande abraço e até semana que vem!

ps.: ah, você já leu meus outros textos? Ainda não? Que absurdo! Clica aqui e muda isso! ;)

Fernanda Maria

Relações Públicas de formação, confeiteira por amor e feliz por necessidade! Adoro escrever, observar as pessoas, ouvir boa música e olhar para o céu em busca de nuvens divertidas e respostas para vida!

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