Você tá reclamando do que?

Voltei com sangue no olho! O assunto é sério hoje, então não vai ter música!

Pra você que tá chegando agora e ainda não sabe: eu moro onde você passa férias! Ou vem passar o fim de semana, ou faz bate e volta no domingo, mas isso não importa! Eu moro naquele lugar que todo o mundo diz que é chique, cheio de glamour, onde fica se sentindo na Europa, blá blá blá… Sim, estou falando de Campos do Jordão!

Só que esse texto de hoje não é sobre o que a cidade tem de bom pro turista (pro morador também, se tiver dinheiro!). É sobre o que tem de ruim e dolorido pra quem mora aqui, sente frio igual todo o mundo e não tem dinheiro nem pra comprar sapato! Estava indo para o trabalho e passei por uma senhora com a filha, ambas com roupas muito muito simples, mas o que me chamou a atenção nela foram os pés, calçados de chinelo. Os pés daquela mulher, com seus dedos tortos pelo uso de calçado inadequado, todos sujos, me mostraram que ela não estava usando aquele chinelo só naquele dia, mas que provavelmente deve usá-lo todos os dias. E aquilo me doeu!

Caso você nunca tenha morado em um lugar bastante frio como é aqui em Campos, vou te explicar um cenário pra ver se você sente comigo a dor de ver aqueles pés “descalços”. Quando você vem pra cá, você se veste, coloca um monte de calça e meias, bota até o joelho, cachecol, um casacão, talvez luvas e gorros. Não adianta dizer que não, porque eu sei que é verdade! Então, você nunca sentiu a dor do frio, porque meus amigos, ele dói! Aliás, nunca sentiu a dor do frio porque nunca precisou sair de madrugadinha da cama e tirar o pijama quentinho e colocar o jeans congelado pra ir trabalhar ou ir pra escola. Você nunca sentiu no rosto o vento gelaaaado de uma manhã de geada ou de um fim de tarde onde vai gear a noite, todos os dias, por 3 ou 4 meses!

Agora faz as contas comigo: se com um monte de roupas talvez você ainda sinta frio, pensa numa pessoa que só tem o chinelo pra calçar no pé. Pensou? Se não doeu em você, sinto te informar: você já morreu e esqueceu de deitar! Desliga esse celular/computador e vai pro cemitério, porque se você não é capaz de ter empatia numa situação dessas, já morreu por dentro! #aquijazumleitor

Eu, que sinto muito frio e detesto o inverno, no instante que vi aqueles pés, que talvez não veem um sapato quente há muito tempo, me compadeci e comecei a pensar que a gente reclama demais de barriga cheia (e corpo quente!). O título é pra te fazer pensar sobre as coisas que você tem reclamado sem motivo. A gente tem o péssimo hábito de sentar nossas bundinhas quentinhas no sofá de casa e reclamar que a comida tá ruim, que a casa é uma porcaria, que a cama é desconfortável, que o travesseiro te dá dor no pescoço, que o chuveiro cai pouca água, que o emprego paga pouco e o chefe é chato demais pelo pouco que paga etc etc etc e se esquece que tem gente que trocava de lugar com você num piscar de olhos!

A gente tem o péssimo hábito de esquecer que tem gente muito pior, vivendo numa situação muito pior que a nossa, morando numa casa sem banheiro, sem chuveiro de água quente – e aqui faço um adendo: pega um dia bem frio e toma banho de balde com água morna. Faz o teste e me diz depois se é bom! #ficaadica – voltando ao raciocínio, tem muita gente que não tem nem metade do que a gente tem e nós temos a cara de pau de reclamar que tá ruim! Toma vergonha!

Muito mais do que empatia eu te convido a ter caridade e esvaziar esse armário lotado de coisa que você não usa! Calça, blusa, camiseta, sapato, em bom estado por favor! Doa, faz girar e aquece alguém.

Depois, olha em volta em qualquer cidade que você for visitar (e na que você mora também), porque nem só de Baden Baden é feita uma Campos do Jordão, nem só de mar bonito é feita uma Ubatuba! Tem gente morando na rua, passando frio e fome, criança morrendo sem condição nem de ir pro hospital, mãe dando à luz em condições precárias, idosos morrendo de solidão em asilos. Mexe esse seu corpinho que não serve só pra malhar na academia e bater perna no shopping e faz alguma coisa de útil pra alguém. Você vai perceber que além de ajudar quem que precisa, você vai ter muito mais motivos para agradecer do que pra reclamar!

Termino dizendo que a gente não vai salvar o mundo – infelizmente! – mas que mudar o mundo de alguém é mais fácil do que a gente imagina e está a um gesto altruísta de distância!

Grande abraço e até semana que vem!

Fernanda Maria

Relações Públicas de formação, confeiteira por amor e feliz por necessidade! Adoro escrever, observar as pessoas, ouvir boa música e olhar para o céu em busca de nuvens divertidas e respostas para vida!

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